Quando pequeno o meu avô dizia: observe os animais. Eles sempre tem
uma mensagem para passar. Sem fui de observar as formigas. A
propósito, deparei-me com informações sobre elas, na internet, que
reforçam o referido interesse. Desde que surgiram, há 140 milhões de
anos, alguma coisa elas devem ter aprendido como, por exemplo, a viver
em cooperação. Dizem que as formigas não são inteligentes, mas um
formigueiro... Individualmente, as formigas podem ser criaturas
estúpidas, mas reunidas em formigueiros reagem ao ambiente com rapidez
e eficiência. Ao fazer isso, revelam algo que ficou conhecido de
"inteligência de enxame". O surgimento desse tipo de inteligência está
associado a uma questão fundamental na natureza: como se explica que
as ações simples de cada indivíduo resultem no comportamento complexo
do grupo? Como centenas de abelhas fazem para tomar uma decisão
crucial a respeito da colmeia quando muitas delas estão em desacordo?
As habilidades coletivas desses animais parecem milagrosas até mesmo
para os biólogos que dedicam a vida a estudá-los. Durante as últimas
décadas, porém, eles vêm acumulando uma série de descobertas
intrigantes sobre o assunto. Um elemento crucial em um formigueiro,
por exemplo, é o fato de que ninguém está no comando. Não há nenhum
general à frente das formigas-soldados. Não há gerentes controlando as
operárias. Quanto à abelha-rainha, sua única função é pôr ovos. Mesmo
com meio milhão de formigas, uma colônia funciona muito bem sem nenhum
sistema de controle - pelo menos não há nada reconhecível nesse
sentido. Em vez disso, o funcionamento da colônia está baseado em
incontáveis interações entre as formigas individuais, cada qual
seguindo regras práticas muito simples. Os cientistas descrevem
sistemas desse tipo como sendo auto-organizados.
O cientista Marco Dorigo, especializado em computação e vinculado à
Université Libre em Bruxelas, aproveitou seu conhecimento do
comportamento das formigas para criar, em 1991, procedimentos
matemáticos destinados à solução de problemas humanos cotidianos muito
complexos, tais como a definição de rotas de caminhões e as reservas
de passagens em companhias aéreas.
Em Houston, por exemplo, a companhia American Air Liquide adotou uma
estratégia baseada nas formigas para resolver um problema empresarial.
Com a ajuda do Bios Group (atualmente NuTech Solutions), uma empresa
especializada em inteligência artificial, a Air Liquide desenvolveu um
modelo digital baseado em algoritmos inspirados no comportamento
forrageiro das formigas-argentinas, uma espécie que secreta
substâncias químicas conhecidas como "feromônios". Quando carregam
alimentos para o formigueiro, essas formigas deixam uma trilha de
feromônio, que indica para as outras formigas onde estas podem
conseguir comida, explica Harper. "A trilha de feromônio é reforçada
cada vez que passa uma formiga em uma ou outra direção, mais ou menos
como uma trilha muito usada no meio da mata. Por isso criamos um
programa que envia bilhões de formigas digitais para que descubram
onde estão as trilhas de feromônio mais fortes para as rotas de nossos
caminhões.
Outras companhias também estão lucrando ao imitar o comportamento das
formigas. Na Itália e na Suíça, frotas de caminhões para entrega de
leite e laticínios, óleo para o aquecimento doméstico e alimentos em
geral também recorrem às regras das formigas forrageiras para
determinar as melhores rotas. Na Inglaterra e na França, companhias
telefônicas ampliaram o tráfego de chamadas em suas redes depois de
programarem as mensagens para que depositem feromônios virtuais em
estações de distribuição, tal como as formigas deixam sinais para que
suas companheiras encontrem as melhores trilhas. Realmente ela têm
muito a nos ensinar. Como dizia Raul Seixas, “A formiga é pequena, mas
elas são um exército quando juntas”.
LUIZ ROBERTO DALPIAZ RECH
quinta-feira, 21 de abril de 2011
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