Luiz Roberto Dalpiaz Rech
O Fórum Democrático de Desenvolvimento da Assembleia Legislativa,
através do seu Colégio Deliberativo, integrado por mais de 30
entidades da sociedade civil, organizações patronais, sindicais,
profissionais, universidades, instâncias federativas, bancadas
partidárias e conselhos regionais de desenvolvimento, definiu quatro
grandes temas a serem discutidos em 2010: 1) Ações Cooperadas e
Desenvolvimento; 2) Participação e Controle Social; 3) Ações
Ambientais; 4) Potencialidades Econômicas do Tradicionalismo Gaúcho.
No item Ações Cooperadas e Desenvolvimento, serão debatidos assuntos
como redes de cooperação, arranjos produtivos regionais,
cooperativismo, empreendedorismo e novas formas de cooperação para a
geração de emprego e renda. O tema Participação e Controle Social
trará discussões sobre fomento ao controle social da gestão pública e
da execução orçamentária. Já o tema Ações Ambientais promoverá
debates sobre o bioma pampa, os comitês de bacias hidrográficas e a
saúde ambiental com vistas à melhoria da qualidade de vida.
E, finalmente, no contexto Potencialidades Econômicas do
Tradicionalismo Gaúcho, sugerido, desde já, pela presidência da Casa,
os debates serão para “levantar poeira!”.
Peguemos o exemplo do Estado da Bahia, que fez a lição de casa: sabe
utilizar excelentemente bem a influência da música e da cultura na
economia. Por que nós, gaúchos, com este folclore riquíssimo que só
engrandece a nossa cultura, não fizemos o mesmo?
Essa pergunta que não quer calar ficará no ar como um desafio a todos
os participantes do Fórum, porque ela se desdobra em questionamentos
inadiáveis, tais como: qual a potencialidade econômica do movimento
tradicionalista do Estado? Quantas indumentárias são confeccionadas,
divulgadas e comercializadas? Qual é exatamente o consumo de
erva-mate consumida pelos gaúchos e outros apreciadores dessa gaudéria
bebida? Quantos desfiles são realizados? E rodeios? Dizem que são
centenas e que mais da metade constituem-se no principal evento do
município. E CTGs construídos? E a criação de cavalos? Alguns
criadores chegam a afirmar que existem mais de 20 mil animais
confinados somente aqui em Porto Alegre. Sem falar nas dezenas de
associações de cavalos, de várias raças, e a ração que estes consomem.
E os fandangos, quantos são realizados e quanto, em termos de
economia, isso representa, se levarmos em conta os veículos
utilizados, combustível consumido, a prestação de serviços (empregos)
que é gerada? E a indústria impressa e fonográfica movimentadas?
Editoras e gravadoras que digam! Sem falar nas churrascarias,
programas de rádios, TVs, sites, blogs e até lembrancinhas nativistas
(souvenires) que são encontradas em qualquer parte deste mundão de
Deus?
Como se vê, são tantas questões que ficam para o debate, incluindo-se
ainda, a questão da produção de erva-mate (será que o consumo
atingiria os números atuais não fosse o apelo tradicionalista?); os
concorridos festivais que cantam e encantam o nosso Rio Grande
(oportunizando o surgimento de grandes poetas e compositores).
Por incrível que pareça, o Movimento Tradicionalista Gaúcho, órgão
reconhecido e aplaudido pela ONU como a maior organização cívico
sócio-cultural da América, não possui estes números! Nem mesmo o
Governo e sequer as associações culturais do nosso Estado os possui.
Daí este ser o maior desafio do Fórum Democrático da Assembleia
Legislativa: descobrir o que é que o gaúcho tem. Pois a Bahia sabe há
muito tempo o que é que a baiana tem...
Ex- Diretor do Fórum Democrático da Assembleia Legislativa do RGS
quinta-feira, 21 de abril de 2011
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